sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Lendo Hegel e Caso Charlie Hebdo...

O que uma leitura de um pensamento sistemático clássico pode suceder após uma enxurrada de apreensão da dinâmica dos tempos atuais pode suceder?

Acabei me lembrando de um discurso de um colega de sala de aula da faculdade sobre o respeito às mulheres numa época do Antigo Império Egípcio, e de como pautando esse fato histórico desdiz nosso sentimento de estágio desenvolvido após uns 5000 anos. Isso me fez lembrar da "liberdade sexual" que práticas homo afetivas existiam no Grécia antiga... Estou me lembrando agora do documentário do livro O Povo Brasileiro do antropólogo Darcy Ribeiro fala da aceitabilidade cultural de relações homossexuais entre índio de algumas tribos específicas...

Não dando juízo de valor sobre as morais de sociedade em tempos específicos mas divagando sobre a possibilidade de realmente existir a possibilidade de refutar o conceito forte de progresso e evolução caminhando para liberdade. Antes achava que apenas o conceito de Liberdade, Igualdade, Democracia e etc poderiam ser facilmente relativiveis, mas até mesmo o Progresso agora. E em muitos sentidos do que imaginei para além do fácil de se detectar "avanço em alguma medida". É possível não haver avança em nenhuma medida.

Hegel trata do idealismo onde há apenas uma relação dialética histórica. Com alguns juízos de valores. Deixou uma abertura teórica para interpretar, assim como Marx e Nietzsche o fizeram. O problema é que a crítica do Nietzschismo e Marxismo sobre o Progresso foram veiculador por agentes muito direcionados para um juízo de valor específico. Agora, aleatoriamente, assistindo uma entrevista ao sobrevivente ao ataque da agencia (dita libertária contra extremos) dos cartunistas Hebdo, passo a ter mais certezas que a dialética de Hegel talvez nem queira apenas teorizar e sistematizar a Filosofia para legitimar um estágio de progresso. Posso até aceitar que ele possa ter essa crença por valorizar tanto a ideia de Estado. Mas o sistema dele pode avançar em deixar campo aberto para uma interpretação onde não é porque há uma tendência numa comunicação dialética de fatos históricos em meio a complexidade da relação espírito individual e coisas da vida matéria e assim variando os resultados em suas "inversões acontecendo", possam destrinchar exclusivamente uma evolução. Talvez agora entendo o significado alemão para Geist e ZeitGeist. É só um momento. E um momento concreto. De percepção. De crença nesse momento. É o agora. Pessoas morrendo. Tolerância de uma lado. Intolerância do outro. Você provavelmente foi raso na interpretação dessas oito últimas orações: " É só um momento. E um momento concreto. De percepção. De crença nesse momento. É o agora. Pessoas morrendo. Tolerância de uma lado. Intolerância do outro"...



O que é a noção de tolerância senão o que cremos o que seja intolerância, nesse momento: esse exato momento! Olhe para os lados e medite. Então... O que é esse sentimento de Tolerância senão a sua própria intolerância?

Uma pena que não temos a capacidade de migrar para a mentalidade de um fanático Maoméista. A Fenomenologia do Espírito de Hegel talvez nunca será utilizada para algo que realmente empreenda um "Progresso". Como progredir nisso, se nunca conseguimos apreender a intencionalidade de um Pensador?

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