O Militante Ou: A Puta que aceita bitcoin
Lutou, lutou e lutou; e agora?
Se perdeu. Conquista pobre.
Quem fará grandes conquistas? A História? Mas não somos nós, componentes da história?
Deixa de estória. Não sabemos é de nada. Quando sabemos, sabemos pouco, a ponto de ter qualidade suficiente para apenas ser usado. Talvez seja melhor ser usado em troca de bitcoins.
Vinícius Mendonça
terça-feira, 9 de abril de 2019
domingo, 22 de abril de 2018
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Vinte e um barra zero dois barra dezoito
Uma vez eu posicionei de um lado um arquétipo anarquista e do outro a justiça. Foda-se! Isso já tem quase 5 anos. Foi algo espontâneo. Tava atoa hoje pensando coisas durante exercícios de Ioga e lembrei disso. Pô, ontem foi o trâmite do Congresso Nacional sobre o Decreto presidencial da intervenção federal: estou bombardeado de política. Tudo está e pode acontecer nos País - de mais de 200 mi de pessoas - que vivo.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
Só sei que
Só sei que:
1) Quem não segue princípios (seja ele bom ou ruim) é engolido pelos que tem
2) Não adianta ter capacidade se não tiver sorte
1) Quem não segue princípios (seja ele bom ou ruim) é engolido pelos que tem
2) Não adianta ter capacidade se não tiver sorte
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Jogo da divergencia Política popular
Bom dia professor.
Eu percebo uma cobranca muito forte de um grupo para outro. Lembro que entre 2011 e 2013 a esquerda se incomodava muito com essa cobranca vinda da populacão (Ex.: Porque não lutam contra os corruptos em vez de lutar por centavos das passagens?). O jogo inventeu. Agora a esquerda quer dar direcionamento para os "paneleiros" (estereotipo)(Ex.: Porque não falam nada diante da morosidade da Lava Jato?).
Domingo marcaram protesto (contra o autoritarismo do Legislativo). Dessa vez podia haver menos cobranca e mais dialogo e pragmatismo (quiçá suprapartidarismo). Depois que o Brasil se dividiu em 2013 (não foi apenas em 2014/12) muita gente gostou e se divertiu em rotular coxinha Vs Manifestantes reais. Temos que fazer autocritica o tempo inteiro
Eu percebo uma cobranca muito forte de um grupo para outro. Lembro que entre 2011 e 2013 a esquerda se incomodava muito com essa cobranca vinda da populacão (Ex.: Porque não lutam contra os corruptos em vez de lutar por centavos das passagens?). O jogo inventeu. Agora a esquerda quer dar direcionamento para os "paneleiros" (estereotipo)(Ex.: Porque não falam nada diante da morosidade da Lava Jato?).
Domingo marcaram protesto (contra o autoritarismo do Legislativo). Dessa vez podia haver menos cobranca e mais dialogo e pragmatismo (quiçá suprapartidarismo). Depois que o Brasil se dividiu em 2013 (não foi apenas em 2014/12) muita gente gostou e se divertiu em rotular coxinha Vs Manifestantes reais. Temos que fazer autocritica o tempo inteiro
sábado, 5 de novembro de 2016
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Conto - Quem é esse ser humano? (Vinícius Mendonça)
“é um animal mamífero, bípede, que se distingue dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. O telencéfalo altamente desenvolvido permite aos seres humanos armazenar informações, relacioná-las, processá-las e entendê-las. O polegar opositor permite aos seres humanos o movimento de pinça dos dedos o que, por sua vez, permite a manipulação de precisão…”
– Meu filho vem comer! A atenção no notebook é interrompida na hora do almoço.
– Peraí mãe! – Grita Vanderson tentando entender porque o vídeo fala de forma tão técnica “polegar opositor” – Tô vendo um vídeo aqui. Tô innnndo!
– Vai esfriar! – Reclama a mãe
– Nossa! Todo dia isso! – Em pensamento, reclama Vanderson.
Mas vai, e segue e se enche de comida. Um dia ele valorizará a comidinha da mamãe. Essa é a rotina de Vanderson, universitário de esquerda, o tradicional revoltadinho de internet. Sua vida permeia entre posts, memes, intrigas online, reuniões de movimentos sociais nos bares da classe média alta, e entusiasmo contra tudo que for “conservador” e “capitalista”. Xerox, textos, reclamação de professores em meio aos corredores da Universidade, sexo, ônibus, protestos, estágio, álcool, visita em bancas de revista. Só isso… mas ele mesmo não sabe, mas o smartfone e os dados 3g estão presentes em 101% de sua vida.
Sua rotina mudou um pouquinho quando ele viu um cartaz colado na pracinha em que ele joga Pokémon Go, e finge que não joga, joga disfarçadamente nesta praça. Avista um cartaz com a ponta dobrada, meio rasgada: INSCREVA SEU CONTO PARA CONCORRER À UM INGRESSO PARA A CAMPUS PARTY BR 10 EM SÃO PAULO NO ANHEMBI!
Vanderson continua militante, de esquerda, pegador de ônibus. Estudando, estagiando e com o seu telencéfalo desenvolvido e polegar opositor… Mas gradativamente se percebe menos partícipe de sua rotina tradicional. Estava tão conectado à ideia de ir à Campus Party, que se via em Vlogs sobre literatura e dicas sobre. E escrevendo rascunhos de madrugada após chegar da universidade à noite.
“Anarchy for the U.K.
It's coming sometime and maybe
I give a wrong time, stop a traffic line
Your future dream is a shopping scheme
'Cause I wanna be anarchy
In the city
How many ways
To get what you want
I use the best, I use the rest
I use the enemy, I use anarchy”
Vanderson ouvindo Sex Pistols no fone de ouvido e ao mesmo tempo pensando enquanto escreve – Poxa, eu podia colocar nesse conto alguma coisa ligada ao anarquismo! Ficaria foda! Nossa, quantos Johnny Rotten’s temos hoje no Brasil? A galera aqui no Espírito Santo é muito conservadora!
E escreve na introdução do conto uma adaptação:
“Isso é o PMDB? ou
É a CBF. ou
É o FMI?
Eu pensei que fosse a América Latina!
Ou apenas um outro País colonizado
Outra propriedade dos EUA”
Tá ficando massa! – Resmunga baixinho com voz desafinada em frente ao notebook, às 00:14h. Parece que a voz costuma arranhar sempre que ele vara algumas horas na frente desse feixe de luz dentro do seu quarto escuro enquanto ele digita preocupado de não acordar ninguém da casa. Mas não são raros os momentos em que sua mãe acorda entre 2 e 3 horas da madrugada pra fazer xixi e encher o filho de perguntas que o cansam.
Vanderson acorda 11:02h.
Sua mãe saiu cedo pra trabalhar e ele acorda com corpo mole por ter ido dormir tarde e com fome. Em vez de fazer almoço ou comprar marmitex, opta por ir na padaria quase ao meio dia. Pega o celular, smartfone, põe no bolso, chave e cartão de crédito e vai pra rua.
No caminho avista um andarilho – o que é comum no seu bairro pois a renda per capta ali é alta, muita gente dá aquela “ajudinha” pros mendigos – e recai em devaneios. Fica viajando, pensando de como o capitalismo leva o homem a essa condição. Lembra-se também da época em que ia em manifestações nas ruas e conseguiu dar umas marmitex para alguns andarilhos e lembra do churrasco da greve do sindicato que ele convidou um andarilho na rua pra comer lá. Causou naquele dia! Mostrou a contradição do movimento grevista! Até que chega no meio do caminho, na praça. Dá um tempo ali, já que ali tem wifi pública disponível e de graça. Pega uns Pokémons e disfarça um pouco pra não parecer que é um nerd igual aos outros 45 humanos que estão ali jogando enfileirados na sombra das árvores da praça. Aí que um menino aparece ao sei lado, respiração asmática, que pergunta: – Moço, você viu um Licktung por aí? Vanderson: – Não! – Com voz assertiva e esnobe (que nada mais que era uma insegurança momentânea para não parecer um humano igual a esse).
E o menino sai. E volta a procurar o Pokémon raro. Vanderson lembra de que a palavra Licktung é um termo da Filosofia heideggeriana, que significa “clareamento”. Acha engraçada a coincidência. Seriam os criadores do jogo manipuladores e fizeram isso tudo pensado? Vanderson pensa alto consigo: – Ah, enfim… tô sem bateria praticamente. Tenho que comer e partir pro estágio.
Após ir na padaria, comer, tomar seu banho, dá uma pausa pra defecar. Não podia esquecer do smartfone, claro. Entra num aplicativo de relacionamento. Consegue terminar de combinar uns possíveis encontros pro final de semana. São mulheres lindas, mas tem medo de ser apenas na foto. Mas… pensa que o que vier é lucro.
Já no estágio, consegue dar aquela fugidinha, considerando que seus coordenadores são displicentes quanto à cobrança do estagiário em seu serviço. Vanderson aproveita a wifi do local pra dar uma olhadinha no conto e continuar escrevendo já que havia feito umas anotações de ideias que poderia incluir no texto. As ideias em tópicos estavam assim:
“ideias conto”. “evangélica alheia a tecnologia atual e convive com filho que tem amigos que vivem falando de jogos”. “pai bebendo cerveja trocando de canal. Pula um programa que tem o denuncia de Dilma na ONU do Snowden”.
Reflete sobre a evangélica e lembra do carinha da biologia que tem uma mãe conservadora. Uma boa inspiração. Daí continua a mergulhar no texto e a escrever...
Vanderson cria um conto logo abaixo da frase inspirada pela letra da música dos Pistols, nonde há o Pai bebendo cerveja na copa do apartamento. Nesta cena há uma troca de canais sequencial. Em meio a essa troca, se passa num programa de notícias, a fala de Dilma na Assembléia Geral da ONU sobre o caso da denúncia de Snowden. Mas o filho interrompe e o pai troca de canal quando o filho pede choramingando pra colocar no Discovery Kids. O filho é indagado pela mãe porque ainda não tomou banho pra ir pra escola. E a mãe dá um jeito nisso tudo e aproveita estes 2 segundos pra visualizar a decadência corriqueira do marido.
Teddy segue com sua mãe pra escola de carro. Observa o movimento pela janela do carona. Vê, durante o sinal fechado, a situação daquela pracinha do bairro, cheio de pessoas.
Vanderson adianta um final, um grand finale, para seu conto. Mesmo que não tenha sequer completado o início e iniciado o meio. No meio, um rascunho: “Pelos smartfones, as pessoas na praça jogam, matam carência (depressão), vendem, compram, se informam...”. E no final, fechar com alguma coisa espantosa, e que dê uma curiosidade para o leitor: “e a evangélica avista um adolescente próximo à porta dos fundos e a janela com o cômodo com a luz ligada. O rapaz está apontando a câmera do celular para a porta e para a janela aleatoriamente”. E o texto, na sequência do meio e o fim fica assim:
“Tem um grupo de 34 pessoas de pé jogando nos seus celulares. Estão em meio aos famintos humanos. Os famintos estão ali próximos a alguns andarilhos. Estes se deliciam das porções de comida que lhe foram doadas. São 102 famintos com sua família. Esses três grupos não disputam território. Parece que há uma espécie de sinergia. A comida é escassa. A wifi é escassa. Há inclusive um reservatório nos chamando “supermercados” e nos tais “apartamentos”. Os usuários de smartfones também conseguem utilizar internet fora da praça que tem wifi. É incrível! Quando eu chego em casa pra descansar finalmente… Eu estou fazendo várias coisas e tem 23 abas no navegador. No Facebook tem gente postando vídeos e fotos do protesto “Fora Temer”. Tem a favor do impeachtment postando fotos de viajem ao sul do Brasil. Tem curtidas de prêmio de melhor empresa, denúncia sobre pornografia e violência, tem teaser de filme. Isso é na minha timeline, desconheço as outras... Me esqueço de que deveria ter comprado um suco e mais alguma coisa pra comer, já que não farei janta. Vou rapidamente na praça e compro as coisas que faltavam. Na volta, observo de longe os fundos de uma casa com um menino procurando Pokémons, mas a dona da casa que está chegando devagar não parece perceber isso. Dá pra ouvir o grito de longe quando os dois se avistam de perto: QUE DIABÉISS MENINO? (Que diabos é isso?).
Narrativa: O sistema te manipula, não à opressão neoliberal!”
Vanderson ri baixo depois que escreve isso. Pega o ônibus de volta pra casa, já que nesta noite não haverá aula devido a um protesto que terá do sindicato da Universidade. Do caminho do estágio até sua casa, parece que passam 4 minutos, devido a cabeça estar cheia de ideias pra escrever o conto, e o caminho dura mais de meia hora na verdade.
Entra em casa, mija sentado, dá uma limpa nas atualizações do Whatsapp e Facebook, se satisfaz, dá descarga e rapidamente corre pra sentar na cadeira de frente ao Notebook que estava apenas em Standby.
Lembra que precisa estudar pra fazer o artigo da aula de Estética II. Vai ser na próxima semana. Depois percebe que será em 4 dias na verdade. Na próxima sexta-feira.
Texto na tela do notebook:
“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo;
quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez;
quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no Oriente;
quando tempo significar apenas rapidez online;
quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um desportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo...”
Será que vale de algo ler isso no Wikipédia pra prova? Vai ajudar em nada! Aff…
Sem ler o restante do texto, que está ainda na tela do notebook, enquanto Vanderson se pega imerso e entretido no grupo de Whatsapp da sala:
“– então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas”.
“Alemanha, Introdução à Metafísica. Martin Heidegger em 1953”.
Quem é esse humano? O Heidegger não. O Vanderson...
– Meu filho vem comer! A atenção no notebook é interrompida na hora do almoço.
– Peraí mãe! – Grita Vanderson tentando entender porque o vídeo fala de forma tão técnica “polegar opositor” – Tô vendo um vídeo aqui. Tô innnndo!
– Vai esfriar! – Reclama a mãe
– Nossa! Todo dia isso! – Em pensamento, reclama Vanderson.
Mas vai, e segue e se enche de comida. Um dia ele valorizará a comidinha da mamãe. Essa é a rotina de Vanderson, universitário de esquerda, o tradicional revoltadinho de internet. Sua vida permeia entre posts, memes, intrigas online, reuniões de movimentos sociais nos bares da classe média alta, e entusiasmo contra tudo que for “conservador” e “capitalista”. Xerox, textos, reclamação de professores em meio aos corredores da Universidade, sexo, ônibus, protestos, estágio, álcool, visita em bancas de revista. Só isso… mas ele mesmo não sabe, mas o smartfone e os dados 3g estão presentes em 101% de sua vida.
Sua rotina mudou um pouquinho quando ele viu um cartaz colado na pracinha em que ele joga Pokémon Go, e finge que não joga, joga disfarçadamente nesta praça. Avista um cartaz com a ponta dobrada, meio rasgada: INSCREVA SEU CONTO PARA CONCORRER À UM INGRESSO PARA A CAMPUS PARTY BR 10 EM SÃO PAULO NO ANHEMBI!
Vanderson continua militante, de esquerda, pegador de ônibus. Estudando, estagiando e com o seu telencéfalo desenvolvido e polegar opositor… Mas gradativamente se percebe menos partícipe de sua rotina tradicional. Estava tão conectado à ideia de ir à Campus Party, que se via em Vlogs sobre literatura e dicas sobre. E escrevendo rascunhos de madrugada após chegar da universidade à noite.
“Anarchy for the U.K.
It's coming sometime and maybe
I give a wrong time, stop a traffic line
Your future dream is a shopping scheme
'Cause I wanna be anarchy
In the city
How many ways
To get what you want
I use the best, I use the rest
I use the enemy, I use anarchy”
Vanderson ouvindo Sex Pistols no fone de ouvido e ao mesmo tempo pensando enquanto escreve – Poxa, eu podia colocar nesse conto alguma coisa ligada ao anarquismo! Ficaria foda! Nossa, quantos Johnny Rotten’s temos hoje no Brasil? A galera aqui no Espírito Santo é muito conservadora!
E escreve na introdução do conto uma adaptação:
“Isso é o PMDB? ou
É a CBF. ou
É o FMI?
Eu pensei que fosse a América Latina!
Ou apenas um outro País colonizado
Outra propriedade dos EUA”
Tá ficando massa! – Resmunga baixinho com voz desafinada em frente ao notebook, às 00:14h. Parece que a voz costuma arranhar sempre que ele vara algumas horas na frente desse feixe de luz dentro do seu quarto escuro enquanto ele digita preocupado de não acordar ninguém da casa. Mas não são raros os momentos em que sua mãe acorda entre 2 e 3 horas da madrugada pra fazer xixi e encher o filho de perguntas que o cansam.
Vanderson acorda 11:02h.
Sua mãe saiu cedo pra trabalhar e ele acorda com corpo mole por ter ido dormir tarde e com fome. Em vez de fazer almoço ou comprar marmitex, opta por ir na padaria quase ao meio dia. Pega o celular, smartfone, põe no bolso, chave e cartão de crédito e vai pra rua.
No caminho avista um andarilho – o que é comum no seu bairro pois a renda per capta ali é alta, muita gente dá aquela “ajudinha” pros mendigos – e recai em devaneios. Fica viajando, pensando de como o capitalismo leva o homem a essa condição. Lembra-se também da época em que ia em manifestações nas ruas e conseguiu dar umas marmitex para alguns andarilhos e lembra do churrasco da greve do sindicato que ele convidou um andarilho na rua pra comer lá. Causou naquele dia! Mostrou a contradição do movimento grevista! Até que chega no meio do caminho, na praça. Dá um tempo ali, já que ali tem wifi pública disponível e de graça. Pega uns Pokémons e disfarça um pouco pra não parecer que é um nerd igual aos outros 45 humanos que estão ali jogando enfileirados na sombra das árvores da praça. Aí que um menino aparece ao sei lado, respiração asmática, que pergunta: – Moço, você viu um Licktung por aí? Vanderson: – Não! – Com voz assertiva e esnobe (que nada mais que era uma insegurança momentânea para não parecer um humano igual a esse).
E o menino sai. E volta a procurar o Pokémon raro. Vanderson lembra de que a palavra Licktung é um termo da Filosofia heideggeriana, que significa “clareamento”. Acha engraçada a coincidência. Seriam os criadores do jogo manipuladores e fizeram isso tudo pensado? Vanderson pensa alto consigo: – Ah, enfim… tô sem bateria praticamente. Tenho que comer e partir pro estágio.
Após ir na padaria, comer, tomar seu banho, dá uma pausa pra defecar. Não podia esquecer do smartfone, claro. Entra num aplicativo de relacionamento. Consegue terminar de combinar uns possíveis encontros pro final de semana. São mulheres lindas, mas tem medo de ser apenas na foto. Mas… pensa que o que vier é lucro.
Já no estágio, consegue dar aquela fugidinha, considerando que seus coordenadores são displicentes quanto à cobrança do estagiário em seu serviço. Vanderson aproveita a wifi do local pra dar uma olhadinha no conto e continuar escrevendo já que havia feito umas anotações de ideias que poderia incluir no texto. As ideias em tópicos estavam assim:
“ideias conto”. “evangélica alheia a tecnologia atual e convive com filho que tem amigos que vivem falando de jogos”. “pai bebendo cerveja trocando de canal. Pula um programa que tem o denuncia de Dilma na ONU do Snowden”.
Reflete sobre a evangélica e lembra do carinha da biologia que tem uma mãe conservadora. Uma boa inspiração. Daí continua a mergulhar no texto e a escrever...
Vanderson cria um conto logo abaixo da frase inspirada pela letra da música dos Pistols, nonde há o Pai bebendo cerveja na copa do apartamento. Nesta cena há uma troca de canais sequencial. Em meio a essa troca, se passa num programa de notícias, a fala de Dilma na Assembléia Geral da ONU sobre o caso da denúncia de Snowden. Mas o filho interrompe e o pai troca de canal quando o filho pede choramingando pra colocar no Discovery Kids. O filho é indagado pela mãe porque ainda não tomou banho pra ir pra escola. E a mãe dá um jeito nisso tudo e aproveita estes 2 segundos pra visualizar a decadência corriqueira do marido.
Teddy segue com sua mãe pra escola de carro. Observa o movimento pela janela do carona. Vê, durante o sinal fechado, a situação daquela pracinha do bairro, cheio de pessoas.
Vanderson adianta um final, um grand finale, para seu conto. Mesmo que não tenha sequer completado o início e iniciado o meio. No meio, um rascunho: “Pelos smartfones, as pessoas na praça jogam, matam carência (depressão), vendem, compram, se informam...”. E no final, fechar com alguma coisa espantosa, e que dê uma curiosidade para o leitor: “e a evangélica avista um adolescente próximo à porta dos fundos e a janela com o cômodo com a luz ligada. O rapaz está apontando a câmera do celular para a porta e para a janela aleatoriamente”. E o texto, na sequência do meio e o fim fica assim:
“Tem um grupo de 34 pessoas de pé jogando nos seus celulares. Estão em meio aos famintos humanos. Os famintos estão ali próximos a alguns andarilhos. Estes se deliciam das porções de comida que lhe foram doadas. São 102 famintos com sua família. Esses três grupos não disputam território. Parece que há uma espécie de sinergia. A comida é escassa. A wifi é escassa. Há inclusive um reservatório nos chamando “supermercados” e nos tais “apartamentos”. Os usuários de smartfones também conseguem utilizar internet fora da praça que tem wifi. É incrível! Quando eu chego em casa pra descansar finalmente… Eu estou fazendo várias coisas e tem 23 abas no navegador. No Facebook tem gente postando vídeos e fotos do protesto “Fora Temer”. Tem a favor do impeachtment postando fotos de viajem ao sul do Brasil. Tem curtidas de prêmio de melhor empresa, denúncia sobre pornografia e violência, tem teaser de filme. Isso é na minha timeline, desconheço as outras... Me esqueço de que deveria ter comprado um suco e mais alguma coisa pra comer, já que não farei janta. Vou rapidamente na praça e compro as coisas que faltavam. Na volta, observo de longe os fundos de uma casa com um menino procurando Pokémons, mas a dona da casa que está chegando devagar não parece perceber isso. Dá pra ouvir o grito de longe quando os dois se avistam de perto: QUE DIABÉISS MENINO? (Que diabos é isso?).
Narrativa: O sistema te manipula, não à opressão neoliberal!”
Vanderson ri baixo depois que escreve isso. Pega o ônibus de volta pra casa, já que nesta noite não haverá aula devido a um protesto que terá do sindicato da Universidade. Do caminho do estágio até sua casa, parece que passam 4 minutos, devido a cabeça estar cheia de ideias pra escrever o conto, e o caminho dura mais de meia hora na verdade.
Entra em casa, mija sentado, dá uma limpa nas atualizações do Whatsapp e Facebook, se satisfaz, dá descarga e rapidamente corre pra sentar na cadeira de frente ao Notebook que estava apenas em Standby.
Lembra que precisa estudar pra fazer o artigo da aula de Estética II. Vai ser na próxima semana. Depois percebe que será em 4 dias na verdade. Na próxima sexta-feira.
Texto na tela do notebook:
“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo;
quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez;
quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no Oriente;
quando tempo significar apenas rapidez online;
quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um desportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo...”
Será que vale de algo ler isso no Wikipédia pra prova? Vai ajudar em nada! Aff…
Sem ler o restante do texto, que está ainda na tela do notebook, enquanto Vanderson se pega imerso e entretido no grupo de Whatsapp da sala:
“– então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas”.
“Alemanha, Introdução à Metafísica. Martin Heidegger em 1953”.
Quem é esse humano? O Heidegger não. O Vanderson...
Roteiro - Virtualis (Vinícius Mendonça)
Título:
Um dia virtual
Ideia/Plot
A
rotina em vários ambientes sociais que retratam e expõem o impacto
das novas tecnologias de informação e comunicação na cultura e na
política.
Personagens
Tobias
é Pai de Hélio, tradicionalmente alheio à relações afetivas com
sua família. Bebe cerveja na sala vendo TV sempre após o trabalho.
Hélio,
filho de Tobias, 9 anos, é uma criança surpreendentemente saudável
que vive numa família com problemas de convivência em casa.
Heloísa
é mãe de Hélio, pessoa equilibrada, centrada no futuro do Filho
João
Neto
é ativista social, mestrando em educação. Está sempre motivado em
novos projetos sociais e culturais
Jonattas
tem 13 anos, é inteligente apesar de não explorar suas capacidades
devido às crises familiriares que interferem em sua rotina.
Transfere aos jogos os seus problemas mal resolvidos.
Cremilda
é evangélica, moradora de bairro humilde e pouco acesso à
escolarização
Patrício
é
morador de bairro nobre, 19 anos, universitário do primeiro período
de Serviço Social
Storyline
Tobias,
pai de Hélio, leva uma vida morosa e não percebe que está inserido
numa política e intervenção empresarial em sua rotina. João Neto,
ativista social traduz esse novo formato social de maneira mais
propositiva possível e conhece Jonattas, menino com potencial
artístico – apesar dos problemas de convivência. Noutra cena,
passa-se por Cremilda e Patrício, pessoas comuns que vão
demonstrando como essas novas tecnologias podem ser tanto
indiferentes como influentes.
Sinopse
Uma
família que não percebe que está imersa num cenário global de
interferência no seu modo de ser e agir por meio das forças de
grupos políticos e empresariais. O comportamento de um cidadão
específico também é influenciado por isto, mas desta vez é graça
a um universitário ativista que determinara os rumos de Jonattas, um
menino com problemas de convivência. Numa terceira cena paralela,
passa-se por pessoas comuns que vão se chocando com o impacto
diverso que as novas tecnologias são capazes de causar. O que
pode-se esperar de tudo isso?
Argumento
Escaleta
CENA
1 – noite – interna – copa do apartamento
Inquieto
no chão da copa e se pendurando por detrás do sofá e resmungando
com o pai, Hélio se incomoda com o que se passa na Televisão. O
pai, mais preocupado com os goles da cerveja e em zapear os canais
sem parar. No fundo da cena passa sobre a ONU, em meio a troca de
canais, que dispersa a notícia. Mãe de Hélio o avisa que está
chegando a hora de dormir.
(NARRADOR)
CENA
2 – noite – interna – quarto de Hélio
Hélio
cai no sono, pois mal percebeu o quão cansado seu corpo estava
depois de tanta atividade.
CENA
3 – manhã – externo – rua
Acordado
por sua mãe, a cena se passa num carro em que a mãe utiliza GPS no
carro para levar o filho no primeiro dia de aula, levando-se em conta
que a mãe, é detalhista e um pouco atrapalhada pra dirigir. O
relógio do carro marca 6:46 da manhã.
CENA
4 – manhã – interno – sala da casa
6:46
da manhã marcando no desktop da sala, “Clique para confirmar
inscrição de conto”. Jonatas se inscreve apressado num concurso
literário online. Ele visualiza para reafirmar o compromisso do
recado que os pais deixaram avisando que voltarão de viajem só após
2 dias. Jonattas se apressa para a escola.
CENA
5 – manhã – externo – rua
Caminha
em direção a escola durante 10 minutos muito entretido em jogos e
redes sociais em seu smartfone.
CENA
6 – manhã – interno – escola
Já
na sala de aula. Chega com dois minutos de atraso com seus colegas
fazendo chacota por ele ser nerd e ficar só jogando. Ele não se
importa porque tem convicção do que faz.
CENA
7 – manhã – interno – casa
Relógio
apontando para 7:14, Cremilda gritando do próprio quarto mandando o
filho levar fruta para o trabalho e não voltar tarde da
universidade. Cremilda se dispersa da fala com Patrício para cantar
seu louvor matinal para depois ir para igreja cedo para ajudar na
obra. Enquanto isso Patrício em meio ao vai e vem entre o corredor
da casa e o seu quarto fica ansioso sobre quais textos da faculdade
deve levar na mesma mochila de seu trabalho.
CENA
8 – manhã – externo – saída da casa
Patrício
segue em direção e aguarda o ônibus da firma próximo a saída da
casa em meio a muitos pensamentos.
CENA
9 – manhã – interno – carro
Relógio
aponta para 11:07 e rádio passando notícias sobre caso Snowden mas
Heloísa prefere músicas calmas. Enquanto isso o carro vai chegando
próximo a Escola de seu filho.
CENA
10 – manhã – interno –corredor da escola
Hélio
não conversa com ninguém, mas arrisca flertar sua colega de sala
entre a sala e o corredor da escola. Percebe-se como a timidez o
prejudica.
CENA
11 – manhã – externo – pátio da saída
Hélio
segue fuçando seu smartfone fazendo de tudo e o mundo inteiro passa
em sua volta sem ele perceber aparentemente
CENA
12 – manhã – interno – carro
Hélio
entra no carro da mãe que o beija e pergunta como foi a escola.
CENA
13 –
manhã – interno – carro
Jonattas
chegando começa a abrir seu e-mail
CENA
14 –
manhã – externo – entrada da casa
Jonattas
chegando abre seu e-mail e le o e-mail de recepção de inscrição
do conto.
CENA
15 – tarde – externo – rua
De
bicicleta seguindo para a ONG, o celular de João Neto vibra e ele
fica feliz de ter mais um inscrito em seu concurso
CENA
16 – tarde – externo – parte externa da ONG
João
Neto continua a pregar cartazes nas ONGS
CENA
17 – tarde – interno – ONG
Na
ONG, João Neto começa a analisar os textos no notebook coletivo e
fica surpreso com a idade do inscrito
CENA
18 –
tarde – interno – copa do trabalho
Patrício
faz seu almoço rápido
CENA
19 – tarde – interno – empresa
Patrício
continua a trabalhar
CENA
20 – anoitecer – externo – rua
Patrício
corre para a Faculdade
CENA
21 – tarde – interno – quarto
Hélio
fica em seu quarto lendo quadrinhos enquantos seus pais discutem
CENA
22 – tarde – interno – sala
A
discussão começa a apaziguar quando Heloísa dis que isso pode
influenciar negativamente seu filho
CENA
23 – tarde – externo – ONG
João
Neto Sai da ONG
CENA
24 – tarde – interno – quarto
Jonattas
abandona por um tempo o smartfone e escreve algumas poesias sobre sua
paquera secreta
CENA
25 – tarde – interno – quarto
Jonattas
fica um tempo refletindo e volta sua atenção aos jogos no smartfone
CENA
26 – noite – interno – Universidade
Na
Faculdade Patrício fica triste por perceber que seus colegas de sala
não tem nada a ver com sua personalidade
Cena
27 – noite – externo – rua
Ele
volta pra casa e encontra sua mãe no caminho com suas colegas de
igreja
Cena
28 – noite – externo – praça
Sua
mãe despede delas e não entende porque tem tanta gente na praça
Cena
29 – noite – interno – casa
Hélio
se pega cochilando a tardezinha
Cena
30 – noite – interno – casa
Os
pais se pegam num ignorando o outro, o pai vendo TV (desfecho da
NSA). E a mãe resolvendo problemas do seu empreendimento de costura.
Cena
31 –
noite – externo – universidade
João
Neto encontra uma galera no caminho no centro de vivência da
universidade
Cena
32 –
noite – externo –
padaria
Jonattas
vai na padaria comprar pão pra casa enquanto fica pensativo quanto
dinheiro pode gastar até a chegada dos pais
Cena
33 –
noite – externo – rua
Cremilda
sai de casa pra ir a igreja
Cena
34 –
noite – interno – quarto
Patrício
segue cansado voltando do trabalho e cai na cama, exausto.
(NARRADOR)
CENA
35 –
noite – interno – cama no quarto
Hélio,
Jonattas, Patrício fechando os olhos e o narrador fechando com fala
sobre como estamos alheios e frase de Heidegger no final.
(NARRADOR)
Cena
–36 noite – interno – sala
TV
ligada nas 3 cenas passando o Jornal da Noite a mesma notícia sobre
a represália de hackers e o motivo mais ou menos claro do porque
disso
Cena
37 – noite – externo – próximo a janela
Cremilda
percebe um som estranho da janela, vai abrir e ve um garoto de 10
anos apaentemente tirando fotos através da janela (jogando pokemon).
Cremilda diz: “que diabéisso?”
Cena
38 – Música no final
Roteiro
Literário
CENA
1 – noite – interna – copa do apartamento
HÉLIO:
(APREENSIVO)
(APREENSIVO)
-
Pai quero ver desenho
TOBIAS:
(IMPACIENTE)
Apenas troca de canais
(IMPACIENTE)
Apenas troca de canais
HELOÍSA:
(PREOCUPADA)
- Filho, hora de deitar!
(PREOCUPADA)
- Filho, hora de deitar!
CENA
2 – noite – interna – quarto de Hélio
HÉLIO:
(SONO)
Segue pra cama deitar
(SONO)
Segue pra cama deitar
CENA
3 – manhã – externo – rua
HELOÍSA:
(PREOCUPADA)
Fuça o GPS do Celular no painel do carro
(PREOCUPADA)
Fuça o GPS do Celular no painel do carro
HÉLIO:
(ACORDANDO)
Entretido nas coisas da rua
(ACORDANDO)
Entretido nas coisas da rua
CENA
4 – manhã – interno – sala da casa
JONATTAS
(ANIMADO E PRESSA)
Manuseia o computador
(ANIMADO E PRESSA)
Manuseia o computador
CENA
5 – manhã – externo – rua
JONATTAS
(PRESSA E DISTRAÍDO)
Manuseia o Smartfone
(PRESSA E DISTRAÍDO)
Manuseia o Smartfone
CENA
6 – manhã – interno – escola
JONATTAS
(DISTRAÍDO)
Manuseia o Smartfone
(DISTRAÍDO)
Manuseia o Smartfone
CENA
7 – manhã – interno – casa
CREMILDA
- Leve fruta pro trabalho Patrício!
- Leve fruta pro trabalho Patrício!
PATRICIO
(PREOCUPADO)
Manuseia seus papéis, vaie volta pro corredor 3 vezes.
(PREOCUPADO)
Manuseia seus papéis, vaie volta pro corredor 3 vezes.
CENA
8 – manhã – externo – saída da casa
PATRICIO
(PRESSA)
Segue em direção e aguarda o ônibus
(PRESSA)
Segue em direção e aguarda o ônibus
CENA
9 – manhã – interno – carro
HELOISA
(CURIOSA)
Seleciona músicas
(CURIOSA)
Seleciona músicas
CENA
10 – manhã – interno –corredor da escola
HELIO
(ENTRETIDO)
Manuseia o smartfone
CENA 11 – manhã – externo – pátio da saída
(ENTRETIDO)
Manuseia o smartfone
CENA 11 – manhã – externo – pátio da saída
HELIO
(ENTRETIDO)
Manuseia o smartfone
(ENTRETIDO)
Manuseia o smartfone
CENA
12 – manhã – interno – carro
HELIO
(ENTRETIDO)
Manuseia o smartfone
(ENTRETIDO)
Manuseia o smartfone
HELOISA
(Feliz)
- Como foi a Escola meu filho?
(Feliz)
- Como foi a Escola meu filho?
HELIO
(INDIFERENTE)
- Legal, mãe
(INDIFERENTE)
- Legal, mãe
CENA
13 –
manhã – interno – carro
JONATTAS
(ANISOSO)
Abre email
(ANISOSO)
Abre email
CENA
14 –
manhã – externo – entrada da casa
JONATTAS
(FELIZ)
- Opa… aprovado!
(FELIZ)
- Opa… aprovado!
CENA
15 – tarde – externo – rua
JOÃO
NETO
(DESENGONÇADO)
Visualiza o celular e continua de bicicleta
(DESENGONÇADO)
Visualiza o celular e continua de bicicleta
CENA
16 – tarde – externo – parte externa da ONG
JOÃO
NETO
(ANIMADO)
Prega cartazes
(ANIMADO)
Prega cartazes
CENA
17 – tarde – interno – ONG
JOÃO
NETO
(SURPRESO)
Analisar os textos no notebook
(SURPRESO)
Analisar os textos no notebook
CENA
18 –
tarde – interno – copa do trabalho
PATRÍCIO
(NORMAL)
Requenta comida
(NORMAL)
Requenta comida
CENA
19 – tarde – interno – empresa
PATRÍCIO
(APÁTICO)
Continua a trabalhar
(APÁTICO)
Continua a trabalhar
CENA
20 – anoitecer – externo – rua
PATRÍCIO
(PRESSA E APÁTICO)
Corre para a Faculdade
(PRESSA E APÁTICO)
Corre para a Faculdade
CENA
21 – tarde – interno – quarto
HELIO
(ENTRETIDO)
Lendo quadrinhos
(ENTRETIDO)
Lendo quadrinhos
HELOÍSA
E TOBIAS
(ESTRESSADOS)
Discutem alto
(ESTRESSADOS)
Discutem alto
CENA
22 – tarde – interno – sala
HELOÍSA
E TOBIAS
(ESTRESSADOS)
Abaixam o tom de voz
(ESTRESSADOS)
Abaixam o tom de voz
CENA
23 – tarde – externo – ONG
JOÃO
NETO
(CANSADO)
Sai da ONG
(CANSADO)
Sai da ONG
CENA
24 – tarde – interno – quarto
JONATTAS
(PENSATIVO)
Escreve poesias
(PENSATIVO)
Escreve poesias
CENA
25 – tarde – interno – quarto
JONATTAS
(PENSATIVO)
Refletindo e volta sua atenção ao martfone
(PENSATIVO)
Refletindo e volta sua atenção ao martfone
CENA
26 – noite – interno – Universidade
PATRÍCIO
(DESANIMADO DISFARÇADO)
Observa colegas [primeira pessoa]
(DESANIMADO DISFARÇADO)
Observa colegas [primeira pessoa]
Cena
27 – noite – externo – rua
PATRÍCIO
(CANSADO)
Caminha e visualiza sua mãe de longe e acena pra ela
(CANSADO)
Caminha e visualiza sua mãe de longe e acena pra ela
Cena
28 – noite – externo – praça
CREMILDA
(EM TOM DE DESPEDIDA)
- Tchau Maria, paz do senhor
(EM TOM DE DESPEDIDA)
- Tchau Maria, paz do senhor
Cena
29 – noite – interno – casa
HELIO
(CANSADO)
Cochilando
(CANSADO)
Cochilando
Cena
30 – noite – interno – casa
HELOÍSA
E TOBIAS
(ESTRESSADOS E CANSADOS)
Silêncio profundo e som dos objetos manuseados. Som da TV.
(ESTRESSADOS E CANSADOS)
Silêncio profundo e som dos objetos manuseados. Som da TV.
Cena
31 –
noite – externo – universidade
JOÃO
NETO
(EMPOLGADO)
- E aí molecada? Estudar ninguém quer né?
(EMPOLGADO)
- E aí molecada? Estudar ninguém quer né?
Colega
1
(IRONICO)
(IRONICO)
-
Falou o cara dos Projetos, não faz nada da vida
JOÃO
NETO
(EMPOLGADO)
- Tá rolando um concurso irado de literatura. Estamos encontrando vários tipos de escritores. Hoje mesmo uma pessoa de uns 13 anos me enviou um texto interessante. Vamos descobrir muito talento, o foda é que aqui no estado é dificil
(EMPOLGADO)
- Tá rolando um concurso irado de literatura. Estamos encontrando vários tipos de escritores. Hoje mesmo uma pessoa de uns 13 anos me enviou um texto interessante. Vamos descobrir muito talento, o foda é que aqui no estado é dificil
Colega
1
(ATENCIOSO)
(ATENCIOSO)
-
Muito bom neto, espero que dessa vez você ganhe algo com isso de
verdade, você já tá no mestrado e tá vivendo só da bolsa
ainda...
JOÃO
NETO
(DESAPONTADO)
- Relaxa, dê tempo ao tempo, to indo ali cara, até mais!
(DESAPONTADO)
- Relaxa, dê tempo ao tempo, to indo ali cara, até mais!
Cena
32 –
noite – externo –
padaria
JONATTAS
(CANSADO)
Vai na padaria comprar pão
(CANSADO)
Vai na padaria comprar pão
Cena
33 –
noite – externo – rua
CREMILDA
(CONVICTA)
Vai pra igreja
(CONVICTA)
Vai pra igreja
Cena
34 –
noite – interno – quarto
PATRÍCIO
(CANSADO)
Deita e reclama da correria do seu dia
(CANSADO)
Deita e reclama da correria do seu dia
NARRADOR
- Parece até que todos são um só, num piscar de olhos, fecham os olhos todos ao como que ao mesmo tempo
- Parece até que todos são um só, num piscar de olhos, fecham os olhos todos ao como que ao mesmo tempo
CENA
35 –
noite – interno – cama no quarto
Hélio,
Jonattas, Patrício fechando os olhos e o narrador fechando com fala
sobre como estamos alheios e frase de Heidegger no final.
NARRADOR
- Lembrei de uma frase maluca de heidegger, nossa que Dejavu
- Lembrei de uma frase maluca de heidegger, nossa que Dejavu
Cena
36 -
TELEVISÃO
- Mais uma vez um grupo de hackers dão pane no sistema bancário online e vamos seguindo a entrevista com o especialista… [fade out]
- Mais uma vez um grupo de hackers dão pane no sistema bancário online e vamos seguindo a entrevista com o especialista… [fade out]
Cena
37 – noite – externo – próximo a janela
Cremilda
percebe um som estranho da janela, vai abrir e ve um garoto de 10
anos apaentemente tirando fotos através da janela (jogando pokemon).
Cremilda diz: “que diabéisso?”
Cena
37 – Música no final
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Mentor Neto 31 de agosto às 16:02
A fala de Dilma - das 15:30 do dia em que foi impichada - é o melhor retrato da retórica que a destruiu.
Arrogante. Intransigente. Despida de qualquer humildade.
Ao não reconhecer a decisão soberana do STF, do Senado e da Câmaram e por mais que se defenda a Democracia e o Estado de Direito, Dilma tinha a obrigação de - finalmente - reconhecer a importância das ferramentas da Justiça.
O impeachment foi uma decisão colegiada. Da maioria.
Discutida e votada pelos representantes do povo.
Com o aval da corte suprema do país (boa parte dela indicada pelo PT).
Gente eleita com a mesma legitimidade que ela.
Cada voto, cada discurso, foi suportado pelos votos de milhões de brasileiros e, por isso, a decisão é soberana e deve ser respeitada.
Nós, brasileiros, devemos ser respeitados.
Dizer que era golpe, até ontem, era uma aceitável e saudável discussão.
Insistir nessa narrativa é contrariar uma decisão soberana, republicana, validada por dois poderes.
Dilma não reconhece nada. Nem seu veredito, nem suas culpas, nem seu destino.
Não reconhecendo a decisão do STF, do Senado e da Câmara dá um claro exemplo da postura que a desconectou do legislativo. A postura que a derrubou.
Como se isso não fosse suficiente, ainda acusa a decisão de ser misógina, preconceituosa e racista.
Dilma sai da presidência entra para a história com um discurso vergonhoso e indigno do cargo que ocupou.
Perdeu a oportunidade de um gesto grandioso para unir o país. Perdeu a chance de reconhecer seus erros. Perdeu a chance de iniciar um movimento de conciliação nacional.
Um discurso de alguém tomado pela paixão. Ou pela dor.
Lamentável.
O fato é que não foi um golpe. E acabou.
Podemos finalmente seguir em frente.
Fora Temer.
Arrogante. Intransigente. Despida de qualquer humildade.
Ao não reconhecer a decisão soberana do STF, do Senado e da Câmaram e por mais que se defenda a Democracia e o Estado de Direito, Dilma tinha a obrigação de - finalmente - reconhecer a importância das ferramentas da Justiça.
O impeachment foi uma decisão colegiada. Da maioria.
Discutida e votada pelos representantes do povo.
Com o aval da corte suprema do país (boa parte dela indicada pelo PT).
Gente eleita com a mesma legitimidade que ela.
Cada voto, cada discurso, foi suportado pelos votos de milhões de brasileiros e, por isso, a decisão é soberana e deve ser respeitada.
Nós, brasileiros, devemos ser respeitados.
Dizer que era golpe, até ontem, era uma aceitável e saudável discussão.
Insistir nessa narrativa é contrariar uma decisão soberana, republicana, validada por dois poderes.
Dilma não reconhece nada. Nem seu veredito, nem suas culpas, nem seu destino.
Não reconhecendo a decisão do STF, do Senado e da Câmara dá um claro exemplo da postura que a desconectou do legislativo. A postura que a derrubou.
Como se isso não fosse suficiente, ainda acusa a decisão de ser misógina, preconceituosa e racista.
Dilma sai da presidência entra para a história com um discurso vergonhoso e indigno do cargo que ocupou.
Perdeu a oportunidade de um gesto grandioso para unir o país. Perdeu a chance de reconhecer seus erros. Perdeu a chance de iniciar um movimento de conciliação nacional.
Um discurso de alguém tomado pela paixão. Ou pela dor.
Lamentável.
O fato é que não foi um golpe. E acabou.
Podemos finalmente seguir em frente.
Fora Temer.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Rascunho de Roteiro de "Virtualis"
DETALHES DE PERSONAGENS E CONTEXTOS:
Contexto 1 PERSPECTIVA DO IGNORANTE
(PER PRINCIPAL)Ignorante ao jogo que começa a curtir "que porra é essa?"
Contexto 2 TRAMA DIFERENCIADA
(PER)Ativista potencial empreendedor
(PER)Magrelo branco espinhento primeiro periodo na universidade que se inscreve no concurso literario
Contexto 3 POLITICA
(PER)Cidadãos que assistem noticia no jornal (Denuncia na ONU, Marco Civil, Racismo, Pedofilia, Lei Dieckman...)
(PER)Lula, Dilma X (PER)Julian Assange e Edward Snowden
ROTEIRO:
Início:
- Alguem vendo na TV e trocando de canal, gritando com o filho.
Iniciar com Snowden falando da constituiçlão americana (Intro Contexto 3) -
*** Fase de Heidegger * (OBS.: Em alemão. Dublado em portugês. Sem legenda) ***
(Fade-in 39 segundos Apagar)
"Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no Oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um desportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo,
– então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… "
- Iniciar com um pokemon na tela e depois convertido na tela do cel. (Intro Contexto 1) -
(Surgir 4 segundos Fade-out)
"Decadência."
(Surgir 15 segundos Fade-out)
"Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas."
(Surgir 8 segundos Fade-out - entrada da CENA1)
"– Martin Heidegger, (1889-1976), em Introdução à Metafísica."
CENA1
- Iniciar com "click" em inscrever conto (Intro Contexto 2) -
CENA 2(...) - Concatenar CONTEXTO 1, 2 E 3
- Enredo 15 minutos -
FECHAMENTO
- (PER)Fechamento com evangelica pobre "que diabo é issi" -
*** Frase "AFK" do documentario do Pirate Bay ***
Contexto 1 PERSPECTIVA DO IGNORANTE
(PER PRINCIPAL)Ignorante ao jogo que começa a curtir "que porra é essa?"
Contexto 2 TRAMA DIFERENCIADA
(PER)Ativista potencial empreendedor
(PER)Magrelo branco espinhento primeiro periodo na universidade que se inscreve no concurso literario
Contexto 3 POLITICA
(PER)Cidadãos que assistem noticia no jornal (Denuncia na ONU, Marco Civil, Racismo, Pedofilia, Lei Dieckman...)
(PER)Lula, Dilma X (PER)Julian Assange e Edward Snowden
ROTEIRO:
Início:
- Alguem vendo na TV e trocando de canal, gritando com o filho.
Iniciar com Snowden falando da constituiçlão americana (Intro Contexto 3) -
*** Fase de Heidegger * (OBS.: Em alemão. Dublado em portugês. Sem legenda) ***
(Fade-in 39 segundos Apagar)
"Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no Oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um desportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo,
– então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… "
- Iniciar com um pokemon na tela e depois convertido na tela do cel. (Intro Contexto 1) -
(Surgir 4 segundos Fade-out)
"Decadência."
(Surgir 15 segundos Fade-out)
"Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas."
(Surgir 8 segundos Fade-out - entrada da CENA1)
"– Martin Heidegger, (1889-1976), em Introdução à Metafísica."
CENA1
- Iniciar com "click" em inscrever conto (Intro Contexto 2) -
CENA 2(...) - Concatenar CONTEXTO 1, 2 E 3
- Enredo 15 minutos -
FECHAMENTO
- (PER)Fechamento com evangelica pobre "que diabo é issi" -
*** Frase "AFK" do documentario do Pirate Bay ***
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