"A maioria desses pobres refugiados, desprovidos de abrigos e da divina ambrosia, teve necessidade de procurar trabalho para viver. Em tais circunstâncias, muitos deles, cujos túmulos haviam sido confiscados, tornaram-se lenhadores ou operários na Alemanha, obrigados a beber cerveja em vez de néctar. Dizem que Apolo ficou reduzido a situação tão precária que se viu na contingência de aceitar um emprego de tratador de animais. Em outros tempos, ele cuidara das vacas de Admetus; seria agora pastor na Áustria. No entanto, despertou suspeita devido à delicadeza de seu canto. Ao ser reconhecido por um culto monge como um deus mágico da Antiguidade, foi entregue às cortes eclesiásticas e, sob tortura, confessou ser Apolo. Antes de ser executado, pediu que lhe deixassem tocar citara e acompanhá-la com seu canto. Tocou de forma tão emocionada e encantadora, e tinha o rosto tão belo, que as mulheres choraram e muitas delas acabaram adoecendo logo depois. Passado um tempo, sob a impressão que aquilo fora feitiço de vampiro, decidiram remover seu corpo da sepultura e queimá-lo preso a um poste. Achavam que este seria um remédio infalível para as mulheres adoecidas. No entanto, o túmulo foi encontrado vazio.
Pouco tenho a relatar a respeito do destino de Marte, antigo deus da guerra. Estou inclinado a acreditar que ele, durante os tempos feudais, se aproveitou da doutrina predominante, o que talvez lhe tenha sido de muita utilidade. Lank Schimmelpenning, sobrinho do carrasco de Munique, teria encontrado Marte em Bolonha e com ele conversado. Pouco antes, ele servira de pastor a Froundsberg e teria presenciado o saque de Roma. Sua mente deve ter se enchido de amargos pensamentos ao ver sua cidade favorita e os templos, onde ele e seus irmãos tanto haviam sido reverenciados, agora horrivelmente destruídos."

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